Opinião – Emprego não impede desigualdade

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pobreza

Análise foi feita no Vale do Paranhana

Da Agenda – Em abril de 2011 publicamos o artigo “O aumento na geração de empregos de uma região nem sempre diminui as desigualdades sociais na mesma proporção”. Agora retomamos a análise com base nos indicadores publicados no portal da Transparência da Agenda Paranhana 2020, que desde 2007 disponibiliza os dados da geração de emprego formal, os dados do número de famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família (PBF), que é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades, que beneficia famílias em situação de pobreza (com renda mensal por pessoa de R$ 70 a R$ 140) e extrema pobreza (com renda mensal por pessoa de até R$ 70) e a relação entre empregos formais e População em Idade Ativa, ou seja, todo o universo de pessoas residentes com mais de 15 anos.
Constatamos que existe na sociedade em geral o entendimento que o acesso ao pleno emprego deve diminuir, na mesma proporção ou velocidade, o número de famílias vulneráveis, diminuindo assim as desigualdades e promovendo a inclusão social destes cidadãos.
Porém isto não acontece de forma equivalente aqui no Vale do Paranhana, mas ao que parece ao contrário, quanto maior o acesso ao emprego formal e a atividade econômica, maior é o número de famílias beneficiadas pelos programas de renda mínima.
Em 2008 haviam 4.793 famílias beneficiadas pelo PBF e existiam 48.560 empregos formais em todo o Paranhana, já em 2009 haviam 5.585 famílias beneficiadas ou seja um acréscimo de 16,52% na pobreza aqui existente mas na contramão houve um estoque de empregos de 50.306 sendo que foram gerados portanto 1.746 novos postos de trabalho, 3,59% a mais.
Já em 2010 houve uma queda no número de famílias beneficiadas para um total de 4.685, ou seja, uma diminuição de 16,11% enquanto o aumento do número de empregos foi de 10,41% totalizando 55.548 empregos formais. Em 2011, até setembro, temos um aumento na geração de empregos na ordem de 2.877 novos postos de trabalho com estoque de 58.425 empregos formais, portanto com um acréscimo de 5,20% neste período.
Porém o número de famílias beneficiadas chegou a 4.833, número superior a 2008 e 3,15% superior a 2010. Na série histórica de 2008 a 2011, enquanto tivemos uma evolução no geração de empregos com o acréscimo de 20,31% no número de postos de trabalho tivemos, por outro lado, não a diminuição no número de famílias em situação de vulnerabilidade econômica mas sim um aumento na pobreza na ordem de 0,08%, sendo que a população cresceu, no período de 2007 a 2010, 2,68% segundo o IBGE.
Passamos também a avaliar a relação emprego formal dividido pela população em idade ativa (PIA). Três Coroas tem a melhor relação regional com quase 60% (59,205) da população PIA empregada formalmente, Igrejinha com 54,75%, Rolante com 44,82%, Riozinho com 43,43%, Parobé com 40,84% e Taquara com 24,22% fecham o ranking regional, mencionado de que o Brasil, ao final de 2010, sobre está ótica chegou-se a uma relação de 30,45% com 44,101 milhões de empregos formais divididos por uma PIA de 144,755 milhões de pessoas.
Como a Agenda Paranhana 2020 utiliza a metodologia BSC de medição e gestão de desempenho por indicadores, se a lógica da inversão de proporcionalidades fosse verdadeira o número de famílias beneficiadas na região, em setembro de 2011, deveria ter sido de 3.820, mas foi de 4.833, portanto 1.013 famílias que deveriam ter melhorado sua condição de vida permanecem em situação de pobreza em 2011.
Todos estes dados e gráficos estão disponíveis para análise crítica em www.paranhana.org.br
(Artigo de Roger Fernando Ritter, presidente da CICS VP)

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