Opinião – Uma ponte longe demais

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Ponte do Guaíba
Luiz Dahlem é voluntário da Agenda 2020 e escreveu sobre a nova ponte

Zero Hora – Não se trata do conhecido filme de guerra, mas da sonhada nova ponte do Guaíba, um dos únicos consensos a que milagrosamente conseguimos chegar no Rio Grande do Sul nos últimos anos. Em meio ao júbilo dos presentes à cerimônia nos armazéns do Cais Mauá, a presidenta da República anunciou a construção da ponte, exclusivamente com recursos públicos.
A previsão de entrega da obra é de cinco anos, sendo dois anos de projetos e licitação e mais três anos de construção. Se tudo correr bem, a ponte será entregue em final de 2017, mas pode ser 2018 ou 2019, nunca se sabe, quando se trata de obras públicas e da burocracia que as acompanha. O custo direto anunciado, a preços de hoje, é de R$ 900 milhões, mas pode ser maior, como está acontecendo com as obras da Copa. Mas há mais ainda. Há o custo indireto decorrente das perdas da economia gaúcha nesse longo período de espera.
Diz-se que, por ano, 590 mil veículos ficam retidos pelo içamento do vão móvel, entre eles 3 mil ambulâncias com pacientes que vêm do Interior em busca de tratamento médico. Pode-se argumentar que mesmo que fosse adotado o projeto da Concepa, mais rápido (2014) e mais barato (R$ 780 milhões), também haveria o custo das atuais paralisações do tráfego e dos atrasos do levantamento do vão móvel. Mesmo assim, pode-se dizer que a solução apresentada pela concessionária da freeway economizaria pelo menos uns três anos dessas perdas, o que, pelos cálculos atuais é de R$ 280 milhões por ano, mais a diferença de preço da obra.
Isso significa que estaremos pagando algo como R$ 900 milhões a mais pela ponte na modalidade escolhida. O custo total da nova ponte, então, deverá chegar a cerca de R$ 1,8 bilhão. Considerando-se o tempo de espera e o preço a ser pago, não dá para entender por que essa decisão foi adotada, pois não há razões técnicas ou econômicas capazes de justificá-la. Sobram, logicamente, razões de natureza política. Elas, entretanto, não podem justificar essa demora e esse elevado custo para a sociedade.
Por isso, preocupa muito a possibilidade da decepção dos gaúchos em face dos resultados, comparativamente à reação de júbilo e contentamento no anúncio da construção. A conclusão a que se chega é: essa não é apenas uma ponte longe demais, mas também cara demais.
Luiz Dahlem é Voluntário da Agenda 2020

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