A Nova Revolução Industrial e o RS

Compartilhe:Tweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Facebook

 

QUIRKY-9up-grid

Da Agenda – Bem-vindo à Nova Revolução Industrial: uma onda de tecnologias e ideias que estão criando um ambiente de manufatura dirigido por computadores. A revolução ameaça tornar obsoletos modelos de negócios há muito estabelecidos.

E o Rio Grande do Sul ? Preparado para esta revolução?

Para Marcos Kayser, voluntário da Agenda 2020 e diretor da TCA, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação do Sebrae, “em termos de inovação, mais especificamente de processos produtivos, nós brasileiros estamos muito atrasados na comparação com outros países, em especial os EUA. Infelizmente, a grande maioria das nossas empresas não tem a gestão da inovação incorporada ao dia dia do negócio. Ainda nos falta criar o ambiente que proporcione a inovação continuada. Se excluirmos as empresas do segmento de eletroeletrônicos e TI, o distanciamento ainda é maior. Exemplo, as indústrias do setor de vestuário e calçadista, que utilizem mão de obra intensiva e com processos pouco sistematizados e automatizados. É necessário que a inovação faça parte da estratégia da empresa e, para isso, é imprescindível que cada uma crie o seu modelo de gestão estratégica, onde entra a gestão da qualidade e a gestão da inovação.”

Opinião semelhante tem Ricardo D’Alò de Oliveira, Mestre em Administração, professor da Faculdade de Administração da PUCRS e diretor do Observatório de Competitividade Estratégica do Rio Grande do Sul:

” Os maiores desafios à inserção das empresas gaúchas no ambiente dinâmico da inovação estão na capacidade e cultura de investimento e na geração de recursos humanos qualificados. A obtenção de recursos para investimentos produtivos por si só já consiste um forte desafio para as empresas que, além das dificuldades burocráticas normais, arcam com custos mais elevados e condições de financiamento inferiores  as de seus concorrentes internacionais. Inovação exige investimento, processo contínuo e implica risco, pressionando ainda mais a capacidade de investimento das empresas.”

Para o professor, “sem inovação não há mercado e esse enfoque passa pela capacidade das pessoas em entender, visualizar e se apropriar das novas tecnologias oferecidas pelo mercado. Neste ponto, o maior inimigo da inovação nas empresas gaúchas, e em geral, está na qualificação dos recursos humanos – desde o chão de fábrica até a sua administração superior. Esse é um dos maiores desafios e não tem sido adequadamente enfrentado. Confunde-se acesso às escolas e às Universidades com qualificação profissional adequada. O risco é permanecermos à margem do desenvolvimento tecnológico, da agregação de valor, no baixo crescimento econômico e perda de mercado para a concorrência estrangeira melhor qualificada.
Paulo Herrmann, presidente da John Deere no Brasil, afirma que  “hoje nossa tecnologia é a mesma de qualquer outro lugar do mundo, mas o sistema de educação não acompanhou essa evolução”, lamenta o executivo. Ou seja: de nada adianta o país ter superado a defasagem que havia há 30 ou 40 anos, quando estava sempre uma década atrasado em relação às tecnologias do primeiro mundo, se não soubermos utilizar os equipamentos mais modernos. “O governo prefere abrir vagas para todo mundo no ensino superior, enquanto em países mais desenvolvidos os jovens desde cedo são encaminhados para uma formação sólida em nível técnico, para diversas profissões”, compara.
Acesso a todos

Para as grandes companhias mundiais, a Nova Revolução Industrial significa uma gama de ferramentas novas para montar fábricas mais enxutas e explorar novos produtos, materiais e técnicas inovadoras. E graças à queda acentuada nos preços, pequenas empresas também têm acesso a equipamentos e ferramentas melhores e mais baratas.

Indústrias inventam novas formas de fabricar as coisas, fugindo ao clássico modelo das linhas de produção. O mais significativo desses progressos é, de longe, a manufatura aditiva: um processo para fazer objetos tridimensionais de praticamente qualquer formato a partir de um modelo digital.

Essas máquinas exóticas podem ser usadas com vários materiais e criar coisas tão diversas como tênis, injetores de combustível para aviões e até mesmo órgãos humanos.

Para se ter uma visão de como as novas tecnologias estão rompendo com a velha maneira de fazer as coisas, considere o tênis da Flyknit, da Nike Inc.

Mesmo os tênis de alta tecnologia ainda são quase todos feitos em linhas de produção com muito trabalho humano. Mas a partir do ano passado, a Nike começou a fabricar o Flyknit de uma forma totalmente nova.

Os engenheiros da Nike adaptaram uma máquina usada para fazer agasalhos e ela agora tece a parte superior inteira do tênis num único item aconcavado que depois é preso à língua e à sola.

O mais importante é que todos esses refinamentos não aumentaram o custo. A tecnologia possibilitou à Nike fazer um tênis com apenas alguns componentes em vez de dezenas e com uma redução de até 80% do desperdício.

As consequências são profundas: a razão para se fabricar calçados em países de mão de obra barata parece de repente ter começado a evaporar. A Adidas já fabrica o tênis Primeknit no seu país de origem, a Alemanha.

Novas maneiras de fazer

Há uma outra grande mudança em curso que não é tão óbvia. A ascensão da impressora 3-D coincidiu com a digitalização do mundo físico através do uso de escaners 3-D e, cada vez mais, de fotos bidimensionais que podem ser unidas digitalmente para criar reproduções precisas 3-D de tudo que existe. Isso afeta todo mundo que trabalha com manufatura e que participa em processos criativos. É muito mais fácil colaborar num modelo que está armazenado num computador porque um monte de gente pode trabalhar nele ao mesmo tempo.

 Fontes: John Koten / The Wall Street Journal / Valor Econômico / Agenda 2020 / Revista Amanhã (Pedro Pereira)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *