O poder da inovação que queremos

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Do primeiro aparelho lançado no país em 1990, pesado, sem graça, tendo na portabilidade o único diferencial em relação a seu similar fixo, às versões atuais, mais poderosas que um notebook e muito mais finas que maço de cigarros, o telefone celular chegou e viciou.

Na vida moderna, talvez seja o que melhor caracteriza o poder inovador criado pela competição e a genialidade de uma rede de milhares de pessoas em todo o mundo, jovens em sua maioria, desenvolvendo aplicativos que reinventam a funcionalidade do que surgiu para ser tão somente um meio de comunicação prático devido à sua mobilidade.

A disputa entre as empresas por um lugar ao sol no mercado, aliada à vontade de empreender de muitos, faz o celular surpreender. Funcionam como cartões de crédito, substituem vouchers e tickets em papel, operam como termômetros e medidores de glicemia.

É impossível prever o que mais o smartphone, atual estado da arte do celular, vai oferecer. Sabe-se é que já se conhecia há tempos a tecnologia das transmissões móveis, nascidas em pesquisas militares, tais como a onipresente internet e tantas outras –GPS, telas de alta definição, airbags, carros e aviões acionados por controle remoto.

Esses engenhos de uso restrito se tornaram populares ao cruzarem com o interesse comercial, multiplicando-se em aplicações práticas graças ao reforço de empresas emergentes, ou startups, responsáveis em boa parte pelo casamento entre a máquina e a “inteligência” da tecnologia da informação. O mercado alavancou as inovações.

É disso que trata o debate, infelizmente atrasado no país, sobre a urgência da inovação tecnológica para que a economia e a sociedade se beneficiem de uma indústria –e de seu encadeamento sob a forma de serviços– genuinamente competitiva, criando oportunidades que estimulem o crescimento econômico e melhorem a qualidade de vida.

Há vários modelos para esse salto à frente, assumindo-se como pré-requisitos as duas grandes sínteses do desenvolvimento –educação de qualidade e ambiente propício ao investimento e aos negócios.

Nações com políticas de subvenção da ciência básica, como os EUA, com 31,1% do gasto mundial com pesquisa e desenvolvimento (P&D) em 2012, ou que visam mais a tecnologia aplicada que a ideia original, tipo China, segunda no ranking global de tecnologia elaborado pela publicação “R&D Magazine”, com fatia de 14,2%, estão na vanguarda do desenvolvimento.

Grandes economias, assim como grandes empresas, investem muito em pesquisa. Mas o fenômeno do celular mostra que algo mais também faz a diferença.

Sem nenhuma indução regulatória e subsídios oficiais, o celular tem avançado, tanto o aparelho como as tecnologias de rede, movido, fundamentalmente, pela concorrência empresarial e pelo que se tornou parte indissociável dessa progressão –o empreendedorismo de base tecnológica despejando no mercado um sem número de aplicativos, de games a redes sociais, de softwares de produtividade a medicina a distância.

A combinação da competição com a vontade de empreender é admitida como a grande força do ecossistema do Vale do Silício, o berço da Apple, do Google, do Facebook. É um modelo que tem dado frutos. Os polos de economia criativa despontam em várias partes, aqui mesmo, exemplificados pelas experiências bem-sucedidas do Porto Digital (Recife), da Tecnopuc (Porto Alegre) e da Unicamp (Campinas).

O que está claro em todo o processo é que sem a vontade de fazer algo novo o progresso tarda, é mais oneroso e talvez nunca chegue. O ambiente de competição alarga as possibilidades. Dados da OCDE mostram que os países que aderiram ao acordo de liberalização do comércio de softwares, ITA, em inglês, de 1996,aumentaram a exportação de serviços em mais de 50%, casos de China, Malásia e Filipinas.

Quem ficou de fora encolheu nas cadeias globais de valor. O Brasil não aderiu, e a participação da tecnologia de informação no total das exportações encolheu para 1%, conforme o Banco Mundial. A concorrência externa engoliu o mercado “protegido”. Por tais coisas, usufruímos benefícios, como os do celular, devidos à competição no mercado dos outros, mas não no nosso.

Fonte: Pedro Luiz Passos / Folha de S.Paulo

 

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