Agenda 2020 participa do 1º Fórum Educação que dá Certo

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Dados e propostas foram apresentados em fórum promovido pelo PGQP

forumPrimeiro painel da manhã no Fórum de Educação. (Foto: Anderson Guerreiro/Agenda 2020/Divulgação)

Na última segunda-feira, 31, a Agenda 2020 participou, como parceira, do 1º Fórum Educação que dá Certo, promovido pelo Programa Gaúcha de Qualidade e Produtividade (PGQP) em parceria com a Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho e o Grupo RBS. O evento reuniu mais de duas mil pessoas no Teatro do SESI, na FIERGS, em Porto Alegre. O evento, que se estendeu durante todo o dia, teve quatro painéis que discutiram diferentes pontos em torno da educação.

Ronald Krummenauer, diretor executivo da Agenda 2020, participou do primeiro painel da manhã, com o tema “Mais do que boas intenções: melhorar a qualidade da educação no RS e no Brasil”. Junto a ele, foram painelistas Mozart Neves Ramos, do Instituto Airton Senna, Eliseu André Ferrigo, do SENAI-RS, e Sônia Elizabeth Bier, do SESI-RS. Em sua fala, o diretor da Agenda citou a falta de continuidade, a nível nacional, da chamada revolução na educação.

– O Brasil revolucionou o acesso à educação nas últimas décadas – comentou Krummenauer. A referência dele se justifica se olharmos os dados, por exemplo, de matrículas no ensino fundamental em todo país. No ano de 1950, eram 4,3 milhões as matrículas. Em 1980, chegamos a 22 milhões e, 27 anos depois, em 2007, ao ápice de 32 milhões de crianças matriculadas no ensino fundamental. Já em 2012, podemos perceber uma queda para 29 milhões de matrículas devido à redução da população em idade escolar.

Ainda, a taxa de analfabetismo caiu drasticamente nas últimas sete décadas no Brasil, e o Rio Grande do Sul acompanhou esta evolução. Enquanto em 1940 o país ostentava a marca de ter 57% de sua população analfabeta e o Rio Grande do Sul, 39%, em 2010 esses índices caem para 10% e 5%, respectivamente.

No entanto, a revolução parou por aí. O PISA (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) de 2012 mostra que o Brasil tem péssimas avaliações em matemática, leitura e ciências. O programa avaliou 65 países nessas três áreas e o nosso país está longe de estar entre os primeiros em qualquer uma delas. Em matemática, o Brasil fica em 58º lugar. Em leitura, estamos em 55º e em ciências, 59º. Xangai, na China, lidera em todas as áreas de avaliação do PISA.

Pelo IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), criado em 2005 pelo Ministério da Educação para medir a qualidade do ensino em todo território nacional, também podemos perceber que falta muito para que a educação do Estado e do país possa ser considerada “aprovada”. O ensino médio tem as piores notas. Pelo último índice, divulgado em 2011, o Rio Grande do Sul e o Brasil têm 3,7 de nota na avaliação do ensino médio, de dez pontos possíveis. Nos anos finais do ensino fundamental, ambos também obtiveram a mesma pontuação: 4,1. O Rio Grande do Sul ostenta 5,0 nos anos iniciais e o Brasil, 5,1. Isso pode ser reflexo de outro dado preocupante: no Estado, 37% dos alunos estão na série errada. E, com tudo isso, começamos a notar as consequências de termos uma educação falha e sem priorização por parte dos governos.

Segundo o IBGE, o nível de estudo da população influencia, diretamente, na renda média do cidadão. Enquanto aquele que não tem instrução alguma possui um salário médio de R$ 540, quem tem o ensino fundamental completo pode chegar a R$ 940. Quem conclui o ensino médio tem renda média de R$ 1.200. Mas é, obviamente, àqueles que têm o ensino superior completo que são destinados os salários mais altos. De acordo com o IBGE, R$ 3.500 em média.

A produtividade do trabalhador brasileiro cresce a ritmo lento – apenas 1% nos últimos 25 anos. Um ranking elaborado pela entidade americana The Conference Board coloca o Brasil na 75ª posição mundial no ranking que mede o desempenho da produtividade. Considerando os países da América Latina, ocupamos o 15º lugar. A produtividade média do trabalhador brasileiro equivale a 18,7% à do norte-americano. Segundo o relatório da TCB, o resultado negativo é reflexo da falta de investimento e de qualidade no ensino público.

Sobre essa qualidade no ensino, pairam alguns questionamentos que a sociedade, como um todo, precisa fazer e tomar para si algumas responsabilidades. Estariam, os pais, delegando somente aos professores e à escola a educação de seus filhos? Os pais cobram melhores escolas do governo? O governo dá melhores condições de trabalho aos professores? Os pais ajudam os filhos nos deveres de casa? O aluno demonstra interesse em fazê-los? Os professores elaboram aulas interessantes, que despertam a atenção do aluno? Este ciclo professores-pais-estudante-governo precisa funcionar em uma consonância plena a fim de melhorar a qualidade do ensino.

A Agenda 2020 cita cinco maneiras através das quais é possível a sociedade ajudar na melhoria da educação:

1. Entender que das áreas importantes que necessitamos de reformas (saúde, infraestrutura, segurança), a educação é a que temos mais condições de influir.

2. Parar com a cultura do “coitadismo”. Precisamos dar condições para que todos possam ter oportunidades.

3. Cobrar resultados qualitativos das escolas e dos governos.

4. Acompanhar o desempenho dos filhos na escola.

5. Incentivar outras atividades de extra-escola, como inglês e espanhol.

E os governos, o que precisam fazer? Para a Agenda 2020, garantir o acesso e a permanência do aluno na escola, avaliar a aprendizagem, valorizar o magistério, atraindo, assim, novos jovens para a carreira de professor, e gerir de maneira eficiente os recursos destinados à educação são medidas que, se tomadas como prioridade pelas administrações públicas, podem fazer com que tenhamos uma maior qualidade na nossa educação.

Anderson Guerreiro – anderson@polors.com.br

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