A complexa caminhada na trilha do chip brasileiro

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Em um mercado dominado por gigantes, o Brasil aposta em instrumentos de incentivo, investimentos nacionais e estrangeiros e articulação do empresariado local para buscar o seu lugar ao sol na indústria global de semicondutores

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A indústria a ser desbravada não é das mais simples. Muito pelo contrário, o mercado de semicondutores é para gigantes ou para quem, de forma inteligente, souber ocupar os espaços que as novas tecnologias continuam a abrir todos os dias. Em um primeiro olhar, a tentativa do governo nacional de recolar o Brasil na rota dos chips, reiniciada há mais de uma década, parece não ter dado todos os resultados se esperava, em volume de faturamento e representatividade das empresas. A própria Ceitec, que nasceu e virou estatal com a missão de puxar esse barco, ainda não conseguiu fabricar 100% de um wafer (onde são depositados os chips) em território nacional.

Mas não há como negar que, desde que o start foi dado, esse ecossistema avançou no País, amparado por políticas públicas como o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (Padis). Esse cenário,aliado aos investimentos internos e externos da iniciativa privada, reflete-se hoje em um mercado que reúne indústrias (Unitec, Ceitec, HT Micron e Smart), cerca de 20 design houses e fornecedores de soluções, como softwares.

Claro que o faturamento das companhias que atuam nesse segmento no País ainda não faz nem cócegas em um mercado que tem números gigantescos – as receitas mundiais de semicondutores chegaram a US$ 339,?8 bilhões em 2014, de acordo com a empresa de pesquisa e aconselhamento em tecnologia Gartner. Apenas como efeito de comparação, o conjunto das companhias que utilizam o Padis atualmente (onde se incluem os principais players que atuam nesse mercado nacional) faturou, junto, cerca de R$ 1 bilhão. “É um montante quase irrisório nesse setor, mas é o embrião de algo que poderá ser muito maior nos próximos anos, e é resultado desta política que foi construída”, analisa o superintendente da área industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), Mauricio Neves.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Semicondutores (Abisemi) e CEO da Unitec, Frederico Blumenschein, acredita que o Brasil está construindo um cenário interessante para o desenvolvimento futuro dessa indústria. “Independentemente de serem melhores ou piores que em outros países, as políticas públicas que temos hoje incluem instrumentos importantes para o desenvolvimento desse mercado”, aponta. Ele cita o próprio Padis e o Processor Produtivo Básico (PPB); as condições diferenciadas de financiamento para inovação oferecidas pelo Bndes e a participação do BndesPar como coinvestidor de iniciativas nessa área.

E o que deveria ser ajustado? Para o executivo, um dos caminhos é o governo ajudar na criação da demanda por produtos, tanto por meio de compras públicas de produtos com componentes nacionais como com a substituição de importações.

“Precisamos que a economia cresça e que sejam criados mecanismos que também incentivem o consumo do produto nacional”, sugere.

Já o presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, Ericson Fabris, acredita que é preciso investir mais nessa área. E cita exemplos internacionais, como a China, que está destinando US$ 120 bilhões para a sustentação da indústria de semicondutores nos próximos 10 anos – US$ 12 bilhões por ano.

O governo brasileiro destinou diretamente para o segmento, nos últimos 15 anos, cerca de US$ 400 milhões, o que inclui a construção da Ceitec e programas como o CI Brasil e o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), entre outros.

“Os investimentos feitos até hoje são pífios para um País que pretende fazer parte da cena global dos semicondutores”, alerta Fabris.

Por outro lado, ele observa que o Brasil começa a criar um ecossistema na área – que ainda é suscetível a um vento mais forte, mas deverá se fortalecer. “Se conseguirmos remover os obstáculos, até 2018 deveremos ter uma massa crítica e geração de negócios em volume suficiente que alavanque esse mercado”, projeta.

Os empresários que estão capitaneando iniciativas nessa área defendem que não dá mais para perder tempo, mas que também é necessário ter paciência para entender o ciclo desta indústria, que tem pouco mais de 10 anos de vida no Brasil. “Existe um timing que precisa ser respeitado. Até porque estamos falando da indústria mais complexa do mundo”, analisa o CEO e cofundador da HT Micron, Ricardo Felizzola.

Para ele, é difícil projetar o cenário futuro e prever, por exemplo, que o Brasil será o melhor em semicondutores daqui 30 anos é um sonho.

“A nossa visão deve ser a de, primeiro, aprender a jogar o jogo, para depois vislumbrarmos sermos campeões do mundo”, defende.

Mercado interno abre oportunidades

Com potencial de consumo interno formado por uma massa de 200 milhões de pessoas, experiência em manufatura de eletrônica aprendida nos últimos 20 anos e muitos engenheiros de qualidade, o Brasil se qualifica a ocupar um pedaço do cobiçado mercado mundial de chips.

E, de fato, é preciso que isso aconteça. A eletrônica é hoje a base de quase todas os segmentos produtivos, da indústria até os serviços. Em 2014, a cadeia de eletroeletrônica brasileira exportou US$ 6,6 bilhões e importou US$ 41,9 bilhões, causando um déficit na balança comercial de US$ 35,3 bilhões.

Os componentes representaram 58% do total importado para abastecer os fabricantes de televisores, computadores e smartphones, entre outros produtos. “Os nossos números em manufatura na área de eletroeletrônica são muito representativos, e fazer semicondutores para atender esse mercado interno é um proposta inteligente”, comenta o CEO da HT Micron, Ricardo Felizzola.

É de olho nessas oportunidades que a HT Micron está. Com sede no Tecnosinos, em São Leopoldo, atua na etapa de encapsulamento e teste de semicondutores. A operação está amadurecendo e sua participação no mercado de memórias para computadores, como notebooks, já é da ordem 20% a 25% do cenário nacional. A expectativa é atingir 30 a 40% em 2015.

As atividades de encapsulamento e teste representam em torno de 20% do custo do componente final e contemplam as atividades desde o corte do wafer até o teste funcional do produto. No País, é um mercadode aproximadamente US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões, que pode ser ocupado por players locais, como as empresas HT Micron e Smart Modular. “Juntas, temos um sexto desse mercado, ou seja, tem muito espaço para crescer nos próximos anos”, projeta Felizzola, de olho, especialmente, no fornecimento de componentes para smartphones, um dos focos para esse ano.

O presidente da Ceitec, Marcelo Lubaszewski, diz que reforçar a atuação na etapa de back-end é uma alternativa que vem sendo adotada por diversos países que buscam o seu lugar ao sol no segmento de semicondutores. “Existe um mercado muito interessante para ampliarmos barbaramente a nossa participação nessa área, a ponto de nos tornarmos exportadores de componentes encapsulados”, aposta. A própria Ceitec, que nasceu para ser uma fabricante de wafers em pequena escala e um design center, resolveu, nos últimos meses, investir também nesse segmento e implantou na sua unidade localizada na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre, a etapa final da fabricação de circuitos integrados.

O executivo acredita que, mesmo para empresas que têm no seu core a fabricação de wafers, como a Ceitec e a Unitec, é importante ter essas outras etapas.

“Quanto mais elos da cadeia tivermos internalizados no País, melhor. Isso nos permitirá vender o chip da forma mais pronta possível para o mercado”, analisa.

Em um mercado de proporções globais, é preciso aumentar a demanda para fazer com que as companhias mundiais enxerguem nesse mercado a possibilidade de criar um cluster local. O principal analista de pesquisa do Gartner, Masatsune Yamaji, porém, alerta que o maior desafio para a indústria eletrônica no Brasil é a concorrência com a China. “O país asiático tem uma ampla cadeia de suprimentos, então, a produção de equipamentos eletrônicos ainda cresce muito lá. Essa indústria precisa de concentração de recursos para ter eficiência”, comenta. Com o aumento do custo do trabalho na China, já está acontecendo uma migração dos locais de produção mas, ainda assim, está indo na direção dos países da Ásia e Pacífico.

Expectativa é otimista para o Estado

O Rio Grande do Sul sempre teve um posicionamento forte no mercado de semicondutores e entrou no mapa do setor definitivamente ao sediar a Ceitec. Hoje, soma operações como a HT Micron, um centro de treinamento de projetistas na Ufrgs, a Santa Maria Design House e, em breve, terá o Instituto Tecnológico em Semicondutores, que será implantado no Tecnosinos, em São Leopoldo.

Na competição para atrair investimentos, o Estado tem a seu favor a boa capacidade de formar pessoas nos seus cursos universitários de Engenharia, além de boas escolas técnicas. Por outro lado, perde para outros mercados pela sua localização geográfica e pelo fato de não ter grandes indústrias consumidores desses insumos localmente – é em São Paulo que se concentram os grandes players de eletroeletrônica.

Ainda assim, há um cluster importante se consolidando por aqui, afirma o presidente da Ceitec, Marcelo Lubaszewski. Ao mesmo tempo, ele diz que é importante que o Brasil se desenvolva como um todo nessa área para conseguirmos criar um núcleo nacional forte. Os empresários estão otimistas para os próximos anos.

“Somos uma indústria nascente e que cresce a taxas mais elevadas que a tradicional.”, comemora o CEO da HT Micron, Ricardo Felizzola.

De fato, a companhia cresceu muito em 2014 – ano que marcou a inauguração oficial da sua fábrica, no Tecnosinos. O faturamento chegou a R$ 200 milhões, contra R$ 40 milhões em 2013.

A CEO do Tecnosinos, Susana Kakuta, também relata que o interesse de players desse setor está aumentando. “Temos tido várias reuniões com interessados que vem aqui, olham o nosso potencial e estão em stand by, no aguardo do crescimento desse mercado do Brasil”, observa.

Problema de falta de mão de obra precisa ser minimizado

Para o mercado interno de semicondutores deslanchar, a economia brasileira precisa voltar a crescer e a cadeia se desenvolver mais rapidamente, com a chegada de novos fornecedores que possam participar localmente de cada vez mais etapas de fabricação e back-end. Também preocupa o setor a burocracia da alfândega brasileira, que faz com que a liberação de matéria-prima importada, muito usada nesse segmento de semicondutores, leve semanas ou até mesmo meses.

O mesmo acontece com questões ligadas à logística, especialmente no Rio Grande do Sul. Como a pista do Aeroporto Salgado Filho é pequena, alguns equipamentos de maior porte, usados para a montagem de fábricas e laboratórios, precisam desembarcar em outras cidades e depois chegar por terra ao Estado.

Mas nada é mais sensível do que a questão da mão de obra, afirma o coordenador do Instituto de Semicondutores da Unisinos, Celso Peter.

“Precisamos de milhares de projetistas para entrar nesse mercado definitivamente”, observa.

De uma forma geral, a falta de pessoas ainda não parece comprometer os projetos atuais, já que essa indústria ainda está engatinhando. Mas, como a expectativa é crescer e muito nos próximos anos, é preciso pensar desde já nessa questão.

Uma das iniciativas é o Programa CI Brasil, idealizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Mcti), que tem como um dos seus objetivos a formação de projetistas de circuitos integrados por meio de três centros de treinamentos.

O primeiro foi implantado em 2008, em Porto Alegre, no Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e já formou cerca de 323 profissionais. Os outros dois estão em Campinas e São Paulo. Juntos, já prepararam para o mercado cerca de 700 projetistas. “Estamos formando pessoas com conhecimento técnico e buscando complementar uma deficiência curricular da grande parte dos cursos de graduação relacionados do País, que nos últimos anos foram deixando de lado a metodologia de projeto de circuitos integrados e microeletrônica”, comenta o diretor técnico do programa CI Brasil, Ericson Fabris.

O gestor, que também é professor da Escola de Engenharia da Ufrgs e presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, relata que o cenário não é muito otimista. O Centro de Treinamento de Campinas não terá uma nova turma, que iniciaria em março de 2015. “Não houve a disponibilidade de alocação de recursos para este ano”, lamenta. É um investimento de R$ 100 mil por mês, para 50 profissionais, que totaliza R$ 2,5 milhões em dois para treinamento completo.

Ceitec quer fabricar 100% de wafer ainda em 2015

A Ceitec sempre gerou muita expectativa no mercado. A ideia de o Rio Grande do Sul sediar uma fábrica de chips surgiu em 2000, a partir da doação de equipamentos da Motorola. O governo estadual, a prefeitura de Porto Alegre, universidades e empresas locais logo abraçaram e contribuíram com a iniciativa.

Apesar da boa vontade, faltavam recursos para tornar o projeto uma realidade. Depois de um período atuando como associação civil, a Ceitec se transformou em estatal. Desde 2006 até o fim de 2014, recebeu investimentos de R$ 67?0 milhões do governo federal, para a construção da sua fábrica e todas as outras despesas de operação.

Desde a ideia inicial, 14 anos se passaram, período marcado por diversas mudanças e polêmicas: trocas de razão social e de presidentes, atrasos nas obras da fábrica, dúvidas do mercado sobre a eficácia da aplicação de recursos públicos neste empreendimento e indícios de irregularidades e superfaturamento analisados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A expectativa de ver a empresa produzir chips localmente continua. “A Ceitec tem um design center e uma fábrica e nenhuma destas duas unidades está funcionando como deveria. Depois de todo esse tempo, eles não fabricaram um único wafer inteiro, e não é por falta de dinheiro. É lamentável”, critica um especialista nessa área, que prefere não se identificar. Segundo ele, nos últimos tempos, a empresa direcionou o seu foco para etapas mais simples na cadeia de semicondutores, como a de back-end, e abandonou a fábrica.

A informação, entretanto, é desmentida pelo presidente da Ceitec, Marcelo Lubaszewski. “A fábrica não está e nem será desativada. Está completamente populada e operacional”, assegura. E cita o fato de ter recebido, no final de janeiro, a certificação ISO 9001:2008, norma que reconhece a gestão da qualidade de uma empresa. “Uma unidade desativada nunca receberia essa certificação”, acrescenta. A área certificada foi o back-end da fábrica, onde são realizadas as etapas de teste, afinamento e corte dos wafers de silício contendo os chips. A auditoria foi realizada pela ABS Quality Evaluations.

A Ceitec, de fato, ainda não produziu a totalidade das etapas de um wafer. Lubaszewski explica que é possível fazer, atualmente, 70% do processo de fabricação na sua fábrica na Lomba do Pinheiro. O restante está sendo feito fora do País.

O time trabalha para finalizar a transferência de tecnologia. Na prática, isso significa preparar a receita – quantidade de insumo, tempo de mistura e temperatura – de como cada produto será fabricado. E não basta chegar a uma fórmula certa. É preciso repetir mais de 100 vezes cada processo. “Esse é o segredo da fabricação. Já sabemos fazer cerca de 70% das receitas e já estamos reproduzindo na nossa fábrica com repetibilidade”, diz o gestor.

A expectativa é que, até o final de 2015, seja possível chegar a 100% da fabricação de um wafer, exceto os de memória não volátil – quando precisa gravar informação de maneira permanente é não volátil. Para atender tudo, deverá estar pronta em 2016.

Lubaszewski admite os atrasos e comenta que é algo normal, já que a Ceitec chegou na frente de todos os outros players e teve que passar por alguns processos bastante complexos pela primeira vez. O CEO e cofundador da HT Micron, Ricardo Felizzola, concorda. “Eles foram praticamente os bandeirantes entrando na selva e derrubando a mata”, brinca, destacando que a Ceitec enfrentou as dificuldades normais de quem desbrava um mercado.

Felizzola comenta ainda que a planta da Ceitec é derivada de doação de equipamentos da Motorola e desenhada em outra época, há mais de 10 anos. Além disso, lembra que foi criada para ser um instituto, depois virou empresa e estatal. “É complicado ser estatal porque isso significa ter pouca flexibilidade ao mesmo tempo em que precisa responder a um mercado extremamente vigoroso”, alega.

Operações mesclam investidores nacionais e estrangeiros

A proposta do poder público e das empresas de desenvolver um indústria brasileira forte para atrair investimentos externos começa a dar os primeiros resultados. A HT Micron é uma joint venture da sul-coreana Hana Micron e o Grupo Parit, holding de investimentos nacional com participação nas organizações Altus e Teikon. A Smart Modular Technologies, de São Paulo, tem investimento da Samsung, também da Coréia do Sul.

A planta industrial da Unitec, com sede em Ribeirão das Neves (MG), tem na sua composição societária capital brasileiro, argentino e americano. A ex-SIX Semicondutores, aliás, é um projeto considerado importante para o mercado brasileiro.

A unidade recebeu R$ 1,2 bilhão de investimentos e terá capacidade de produzir 360 wafers por dia – cada lâmina poderá abrigar entre cinco e sete mil chips – o que a coloca como uma operação de médio porte.

A expectativa é que sejam gerados 400 empregos diretos nos próximos dois anos. A fábrica está concluída e até março deve começar a receber e instalar os equipamentos. A operação comercial se inicia a todo vapor em 2016, mas ainda em 2015 já estará produzindo. “A Unitec retornou com toda velocidade”, diz o CEO da empresa, Frederico Blumenschein.

Esses investimentos e know-how aportado por players estrangeiro vão criando competência no País para atender essa cadeia global dentro. O executivo comenta que o trabalho que players como a Unitec, Ceitec, HT Micron e Smart estão fazendo servirá de exemplo para potenciais novos investimentos no País. “Todos vão olhar para as nossas operações para ter uma referência na tomada de decisão de investir aqui”, acredita.

Design é opção para País tentar se especializar

O presidente da Sociedade Brasileira de Microeletrônica, Ericson Fabris, acredita que o Brasil poderia olhar de forma mais atenta para as oportunidades na área de design em semicondutores. Para ele, dentro deste ecossistema, seja na ponta de fabricação, onde a Unitec e a Ceitec assumiriam a fabricação de circuitos, até a ponta final, de encapsulamento e teste, onde tem a HT Micron e a Smart, existe toda uma cadeia de agregação de valor aos projetos em design. “A cadeia brasileira ainda incipiente e muito centrada em back-end e em nichos específicos e testes. Mas, onde você tem projeto do chip e que está o valor agregado e aí que devemos apostar”, analisa.

A visão, defende, tem que ser global, ou seja, projetar aqui e ser capaz de capturar as oportunidades que surgem mundo afora. Entre as áreas que ele vê maior potencial estão a de saúde pública, seja com diagnóstico ou monitoramento, logística, meios de pagamento e soluções de telecomunicações.

O coordenador do Instituto de Semicondutores da Unisinos, Celso Peter, também acredita que os design centers sejam uma boa oportunidade para o Brasil. Ele comenta que países como Israel, por exemplo, tem 200 destas iniciativas. “Nossos engenheiros são muito qualificados e acredito que o Brasil tem, sim, condições de se inserir mais fortemente no mercado mundial de design”, observa.

Setor busca estímulo além do Padis

A indústria de semicondutores é uma das mais incentivadas do mundo, em uma prática que é considerada fundamental para que as empresas possam vencer a barreira de entrada desse mercado tão competitivo. O principal instrumento existente hoje no Brasil para atender esse segmento é o Padis, criado em 2007 e que removeu impostos federais para quem projeta, fabrica ou encapsula componentes no Brasil.

“Seria muito difícil ter um esforço de atração de investimentos externos sem oferecer o mesmo cenário que os competidores encontram em tantos outros países”, comenta o superintendente da área industrial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes), Mauricio Neves.

São nove habilitadas ao Padis no Brasil,entre design house, fábricas e operações de back-end. No caos do Rio Grande do Sul, estão nessa lista a Ceitec e a HT Micron.

O coordenador do Instituto de Semicondutores da Unisinos, Celso Peter, acompanha há mais de 20 anos esse mercado e comenta que o Padis é um instrumento necessário, mas não suficiente. Isso porque, remove empecilhos, mas não cria as condições ideais para a indústria se desenvolver. Para isso, é preciso congregar outros fatores como ambiente mais desenvolvido, logística adequada e mais investimentos. “São oito anos de lei, mas com pouco efeito ainda, se pensarmos que, apesar de ter o mérito de apoiar as empresas dessa área, não levou ao nascimento de diversas iniciativas nessa área”, avalia.

O superintendente da área industrial do Bndes, Mauricio Neves, comenta que o instrumento não contempla um conjunto muito grande de companhias, justamente, porque é reflexo do setor de semicondutores no Brasil, que ainda é pequeno. E concorda que o Padis é apenas uma peça dentro de um conjunto mais amplo de incentivos que foram pensados pelo governo brasileiro para apoiar o desenvolvimento deste setor. “Sozinho, não tem efeito. É preciso ter uma política de suporte a recursos humanos, de investimentos financeiros e diversas outras ações que estimulem esse ecossistema”, analisa.

Estado terá instituto

No início de 2016, uma das mais importantes iniciativas na área de tecnologia gaúcha entrará em operação: O Instituto Tecnológico em Semicondutores da Unisinos, especializado em encapsulamento e testes. “Esse será o mais completo da América Latina”, projeta a CEO do Parque Tecnológico de São Leopoldo (Tecnosinos), Susana Kakuta. Ela explica que o projeto foi todo desenhado em parceira com a Coreia do Sul.

A iniciativa possui um conjunto de módulos que permitirão a realização de serviços de treinamento, ensaios de confiabilidade, análise de falhas, projeto, prototipagem, teste, suporte a fornecedores e otimização de processos. Será possível, por exemplo, a realização de ações como a de promover o envelhecimento de um chip ou expô-lo a intempéries para avaliar as suas condições de usabilidade.

Além disso, Susana comenta que o instituto é parte fundamental dentro do processo do Padis, pois apoiará empresas que vão produzir chip, dando homologação para questões como a substituição de importações e contrapartidas exigidas.

Fonte: Jornal do Comércio

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