OS LIMITES DA PROCRASTINAÇÃO

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Em toda crise de âmbito público, existe a oportunidade de concretizar evoluções institucionais que, por terem se tornado inadiáveis, passam a ser possíveis. É o que temos no Rio Grande do Sul de hoje.

Uma sociedade que optou em adiar por décadas uma reforma estrutural de fôlego, uma ressignificação organizacional, revisão de regimes jurídicos, planos de carreira e previdência que se sabiam seriam no futuro próximo impagáveis, só podia estar esperando contar com a sorte e o acaso para que as soluções surgissem.

As tentativas, nesse meio tempo, de reversão e antecipação da resolução dos problemas foram politicamente inviabilizadas e rechaçadas _ por trazerem ajustes “desconfortáveis” e mudanças que poderiam ser, no entender do senso comum majoritário, adiadas para um futuro incerto.

Pois bem: a despeito de inúmeros estudos e sugestões, que vêm desde o Plano Sayad, da década de 1980, as lideranças políticas e econômicas do Rio Grande do Sul optaram por adiar reformas, ajustes, modernizações.

Isso é fato. O RS colhe, portanto, o acúmulo da prática dominante de um populismo administrativo baseado em empurrar para diante as contas, os problemas e, também, as oportunidades de futuro.

Em uma situação extrema, como a que hoje se aproxima, perdem todos: a grande maioria do funcionalismo, aposentados e pensionistas, os usuários dos serviços públicos de saúde, educação e segurança e, principalmente, a nova geração de gaúchos que vê os investimentos para o seu bem-estar e competitividade econômica minguarem  também pela permanência  de um clima pessimista, de desconforto e incerteza.

É necessário serenidade, amplitude, sinceridade, profundidade em reformas, e não meras soluções para gerar “ajustes de caixa” ao buscar soluções que passam ao largo das distorções estruturais do Estado. Um exemplo: de pouco adiantam privatizações se os recursos servirem somente para se “fechar contas” de curto prazo.  Os limites da procrastinação, testados durante décadas, se provaram até mais elásticos do que se esperava.

Esses, agora, chegaram ao fim.

 

GUSTAVO GRISA
Economista, autor do livro RS _ Sem Medo do Futuro

 

Fonte: Opinião ZH

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