Mais jovens nas escolas = menos homicídios

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Pensar educação como meio de combate aos altos níveis de criminalidade ostentados pelo Brasil e pelo Rio Grande do Sul necessita planejamento desde a base, desde a educação infantil. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e apresentado pelo Ministério da Justiça no mês passado mostra que a relação entre baixa escolaridade e violência é um fato comprovado.

A partir disso, é necessário um planejamento de longo prazo que foque na educação infantil – e posteriormente na fundamental e básica – como balizadores contra os índices crescentes de criminalidade no país.

Os dados de educação trabalhos pela Agenda mostram que o cenário atual não é animador. As notas do Ideb, mesmo com metas “modestas”, ainda são baixas. Nota-se, também, com base nos dados dos municípios, uma perda de qualidade na educação nas séries finais do ensino fundamental em comparação às séries iniciais. O abandono escolar, na adolescência, é uma das causas e aí é possível estabelecer um link com as questões da segurança.

Uma matéria do Todos Pela Educação (TPE) tratou deste assunto nesta semana. Também é possível acessar a Nota Técnica do Ipea que trata dos indicadores de educação e homicídios nas 81 cidades mais violentas do país. É preciso pensar a formação do cidadão, desde a base, de um jeito diferente. Os frutos serão colhidos muito mais adiante.

Abaixo a matéria do TPE, que também pode ser lida no site.

naveciencia

Homicídios caem 2% a cada 1% a mais de jovens nas escolas, mostra Ipea

Estudo relacionou número de assassinatos e qualidade das escolas dos 81 municípios brasileiros mais violentos

Mariana Mandelli, do Todos Pela Educação

A cada 1% a mais de jovens entre 15 e 17 anos na escola, há uma redução de 2% na taxa de assassinatos nos municípios. A relação entre escolaridade e violência, tema recorrente em países desiguais como o Brasil, foi a motivação do estudo “Indicadores Multidimensionais de Educação e Homicídios nos Territórios Focalizados pelo Pacto Nacional pela Redução de Homicídios”, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e apresentado neste mês de maio no Ministério da Justiça.

A pesquisa é fruto das ações do Pacto Nacional pela Redução de Homicídios (PNRH), criado na gestão do então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, cujo objetivo era reduzir assassinatos e melhorar as condições da segurança pública nas cidades brasileiras em ações de repressão qualificada e prevenção social em relação aos jovens. O objetivo era, portanto, diagnosticar a qualidade da oferta educacional nos locais prioritários para a ação do pacto. A conclusão, segundo o instituto, foi que a Educação é a principal forma de reduzir assassinatos.

O estudo foi baseado numa revisão bibliográfica e na análise de dados sobre o número de homicídios e a qualidade das escolas nos bairros mais violentos dos 81 municípios brasileiros que fazem parte do pacto. Somadas, essas cidades têm a metade (48,6% ou 22.776 casos) dos homicídios no Brasil em 2014 concentrados em 4.706 bairros. Ou seja: um quarto dos homicídios no País ocorrem em 470 bairros.

Além dessas informações, foram utilizados 17 tipos de dados diferentes para compor as estatísticas educacionais, todos calculados e disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), como atendimento escolar, complexidade da gestão, média de alunos por turma, taxa de abandono e índice de esforço docente, entre outros, tanto para o Ensino Fundamental como para o Ensino Médio, para cada escola localizada nos bairros com as piores taxas de violência. Ao cruzar os dados, os resultados mostraram que os bairros com as melhores escolas têm as menores taxas de homicídio.

“Essa correlação é uma sugestão, não é uma causalidade. No entanto, os dados comprovam outras estudos internacionais e estatísticas já existentes, como o fato de que indivíduos com até sete anos de estudo têm 15,9% mais chance de sofrer um assassinato do que aqueles com nível superior”, explica Daniel Cerqueira, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea. “No Brasil, a Educação é um escudo contra o homicídio.”

Cerqueira explica que o crime não é uma constante na vida de um indivíduo – ele tem um ciclo. “Dos 12 aos 30 anos tem-se o período com maior probabilidade de se cometer e sofrer crimes. Fora disso, é mais difícil acontecer. A grande prevalência de homicídios é uma enfermidade social – mostra que vivemos numa sociedade doente em vários aspectos. A nossa população jovem não enfrenta apenas problemas de segurança pública, mas em várias áreas, como Educação e saúde”, afirma.

Segundo ele, o crime tem a ver com a localidade – determinados bairros, como a pesquisa mostra –, o que implicaria na implementação de políticas públicas intersetoriais, envolvendo não apenas a segurança pública. “Dentro dessa lógica, é necessário reconhecer que o primeiro ponto focal seria a Educação. Ela é a espinha dorsal para todas as ações preventivas”, opina. “Precisa haver um comprometimento dos governantes que sincronize todas as pastas de gestão pública em prol desse objetivo, porque não adianta cada um fazer a sua parte sem que haja diálogo.”

 

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