Uma Grécia bem aqui

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Um comportamento considerado propício de uma pessoa que está prestes a cometer um grave erro – se de conhecimento dela – é recuar, reavaliar, planejar novamente. A referência ao fato de saber que está errando é válida porque, obviamente, erros podem ser cometidos, mas não sucessivamente.

Imagine-se, por exemplo, caminhando em um penhasco e indo, a cada passo, em direção ao precipício. Você sabe o que vai acontecer se chegar lá, mas continua andando naquela direção mesmo contra a vontade de todos e a sua própria. Pior: sabe o que precisa fazer para mudar de rota e não mais correr o risco de despencar fatalmente lá de cima. Mas não faz. Não age. Não muda.

Esta situação, embora lhes pareça um pouco pueril, pode servir para uma analogia com o estado do Rio Grande do Sul. Há décadas gastamos mais do que devíamos e começamos a nos aproximar perigosamente do precipício. A falta de controle das contas públicas, a descontinuidade de programas de governo, o sentimento de não pertencimento de algumas categorias, entre outros pontos, são causa deste desastroso cenário que nos é colocado.

Situação semelhante passou a Grécia no começo desta década. O país também gastou muito além do que podia e empréstimos estratosféricos ajudaram a enterrar a economia local.

Nosso caminho no penhasco em direção ao precipício acontece há vários anos e, infelizmente, sabemos a receita para revertermos o quadro minimamente. Então por que não mudamos? A falta de um sentimento de pertença, de se sentir parte do Estado e também da crise, faz com que muitas categorias e setores pensem egoisticamente nos seus benefícios. É simplório demais querer que apenas os outros sejam os responsáveis por reerguer o Rio Grande do Sul.

Enquanto privilégios continuarem sendo concedidos, principalmente a quem está no topo da pirâmide, não teremos solução mágica que nos faça pararmos de caminhar em direção ao precipício. Querer que o cenário mude sem abrir mão de nada é uma utopia nada inteligente. Uma crise financeira – seja no setor público, nas empresas ou em nossa casa – não escolhe um destino aleatoriamente. Ela só chega onde há uma junção entre falta de planejamento e pouca disponibilidade de mudar.

*Ronald Krummenauer, diretor executivo da Agenda 2020

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