Mais e mais aposentadorias. E se não houver dinheiro para pagar todo mundo?            

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As mudanças na previdência, postas mais em discussão pelo governo interino de Michel Temer, sob o comando do gaúcho Eliseu Padilha, já estão surtindo efeito embora nada ainda tenha sido mudado no regime de aposentadoria dos brasileiros. De concreto, até agora, apenas intenções da União em aumentar a idade mínima para aposentaria muito em face do aumento da expectativa de vida da população e, também, porque muitos se aposentam “jovens” e em plena capacidade de trabalho.

Uma reportagem desta segunda-feira do Jornal do Comércio mostra o crescimento dos pedidos de aposentadoria no Brasil no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 5,3% mais pedidos e, apesar de não tão expressivo, há que se olhar para os motivos que estão levando os trabalhadores a solicitarem a aposentadoria. As futuras mudanças na previdência aparecem entre os principais.

A projeção do Governo Federal é de que 2017 feche com um déficit de quase R$ 170 bilhões na previdência que atende os trabalhadores da iniciativa privada, os que recebem pelo INSS. Neste ano, o rombo deve girar em torno de R$ 133 bilhões, correspondentes a mais de 2% do PIB nacional.

É importante ressaltar que quem solicita sua aposentadoria agora não está cometendo um erro. A regra é essa e, até que se mude, qualquer movimento de trabalhadores em busca de garantir o seu benefício é legítimo e legal. 

Projeta-se que mais de 620 mil brasileiros solicitem aposentaria em 2016. Mesmo sabendo que, dentro das regras vigentes, o benefício uma vez concedido passa a ser um direito adquirido, a pergunta que se faz é: haverá dinheiro para pagar todo mundo? Não basta, aos olhos do trabalhador, estar aposentado, ter a garantia do seu benefício. Ele precisar ter, independentemente do valor, um depósito mensal na sua conta para fins de manutenção da sua vida até a morte, sendo sustentado, para tanto, pelos que estão em atividade. Mas e se não houver dinheiro? Se as contribuições dos que estão trabalhando continuarem não sendo suficientes para pagar quem já fez isso anteriormente? Se continuarmos no caminho do precipício mesmo sabendo há décadas que é para lá que estamos indo?

A discussão precisa se dar também neste campo. A matemática não deixa muita brecha para discussões. Se há menos gente trabalhando, mesmo por uma questão de diminuição da taxa de natalidade, e mais gente aposentada, pelo aumento da expectativa de vida dos brasileiros, como essa conta vai fechar?

A reforma da previdência, que deve chegar ao Congresso em breve, merece um olhar atento com vistas ao futuro, ao que teremos de concreto em dez ou vinte anos. Está muito claro que o sistema não mais se sustentará e entrará mais ainda em colapso se algo de concreto não for feito. Hoje, os aposentados ainda têm garantidos seus benefícios porque o governo central sacrifica investimentos em outras áreas para não falhar com os compromissos previdenciários. Até quando isso será possível, até mesmo do ponto de vista fiscal, não se sabe. Na dúvida, melhor reformarmos o sistema logo.

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