Não podemos mais adiar o debate sobre aposentadoria

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Quando o tema em discussão é previdência e aposentadoria, muitas pessoas podem pensar que é algo muito distante de si. Ainda mais se forem jovens.

Debater aposentadoria agora se não tenho sequer uma assinatura ainda na minha carteira de trabalho, pra quê? Mas o futuro pode nos cobrar um preço caro por sempre jogarmos esse assunto para baixo do tapete e procrastinarmos uma discussão que precisa ser feita de maneira urgente e realista.

O programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu uma reportagem que tratou do assunto a nível nacional (assista clicando aqui).

O paralelo básico que se deve fazer quando discutimos aposentadoria é o número de nascimento, em queda, e a expectativa de vida da população, em alta. Se há menos gente nascendo, logo em algum momento a população economicamente ativa será menor e isso impactará negativamente na arrecadação que sustenta a previdência de quem já se aposentou.

A conta já não está fechando e uma reforma no sistema previdenciário brasileiro deverá ser feita logo, antes que o colapso aumente.

Muitos pontos podem ser elencados como fundamentais numa reforma da previdência. Um deles, o aumento da expectativa de vida dos brasileiros nas últimas cinco décadas, substancialmente.

No Rio Grande do Sul, vemos claramente essa mudança do perfil da população. E a projeção para os próximos 20 anos indica que as alterações na pirâmide etária continuarão.

Em 2010, o RS possuía, entre os estados brasileiros, o maior percentual de pessoas acima dos 60 anos: 14% da população. Quarenta anos antes, em 1970, este número era de apenas 6%. Ainda durante a primeira década do século XX, pode ser percebida uma real pirâmide na formação etária do estado, mas já com deformações. As maiores faixas de pessoas eram as que englobavam homens e mulheres dos 25 aos 29 anos, com cerca de 900 mil pessoas.

2010

Nos prognósticos da Fundação de Economia e Estatística do estado (FEE), em 2030 o número de nascimentos terá diminuído ainda mais: de mais ou menos 620 mil por ano em 2010 para cerca de 550 mil daqui a 14 anos. A disponibilidade de força de trabalho, ou seja, as pessoas em idade para trabalhar – geralmente entre 50% e 55% da população total – também atingiu seu ápice até o ano de 2010 e, a partir de agora, começa a ter leves quedas.

2030

A maior mudança, no entanto, poderá ser notada no topo da pirâmide. Se até o século XIX era comum que a população de bebês e crianças fosse muito superior à de idosos, em 2050 esta realidade será completamente diferente. A maior faixa da população gaúcha será de idosas com mais de 80 anos – quase 400 mil pessoas. Os nascimentos cairão a este mesmo patamar, mas somados meninos e meninas.

2050

É salutar vivermos mais, mas há que se olhar para a qualidade deste viver. E os governos precisam estar preparados para arcar com todos os custos dessas mudanças no perfil da população. Se envelhecer significar aposentadoria não garantida, filas em hospitais e falta de assistência às necessidades básicas, teremos um sério problema.

A questão da previdência precisa ser discutida a fundo e envolver principalmente os setores da sociedade que serão diretamente afetados no futuro. Apesar de alguns indicativos e contradições quando se trata especificamente do déficit previdenciário brasileiro, outros pontos parecem ser quase unanimidade, como o estabelecimento de uma idade mínima para a aposentadoria.

Se a expectativa de vida do brasileiro girava em torno de 54 anos em 1960, agora ela é de mais de 75 anos. E um trabalhador se aposentar antes dos 50 é algo que o sistema atual não comportará.

distribuição etária

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