O custo de não fazer

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BR-116 Sul: obra de duplicação está emperrada

Infraestrutura é o veio principal do processo de desenvolvimento sustentável. O Estado deseja se desenvolver com sustentabilidade? Aparentemente não. Por quê? Porque, na verdade, ao longo das últimas décadas, abriu mão de programas como o Duplica RS; não conclui a BR-116 Sul, que está 80% pronta; abriu mão do uso de financiamento privado para a infraestrutura pública na continuidade do programa de concessão de rodovias com o eixo norte da BR-116 incluso; não conclui as obras de irrigação iniciadas há mais de dez anos na região da Campanha; não permitiu à Concepa executar a obra da segunda ponte do Guaíba, com extensão do contrato e que já estaria pronta; além da ampliação do aeroporto, incluindo pista e terminais.

Qual é este custo? Com esse conjunto de ações, o Estado, ao não fazer, abriu mão de investimentos da ordem de R$ 6 bilhões anuais, além das vidas perdidas cujo custo não pode ser mensurado.

O Brasil tem um estoque de 53% do PIB em infraestrutura, enquanto seus competidores têm 70% em média. E um custo logístico em torno de 10% do custo de produção. No RS, o custo logístico é em torno de 20% e a situação de estoque de infraestrutura, pior que a do país.

Então, nos cabe fazer uma terapia social no sentido de termos sinergia nas convergências que construam nosso futuro e não em disputas menores que têm dirigido as ações político-econômicas fracassadas das últimas décadas, que levaram o RS à situação presente de ruína formal e financeira.

Sugiro a reflexão das forças vivas da nossa sociedade no sentido de mudança de atitude e, assim, deixarmos de não fazer. Agindo desta forma, talvez tenhamos alguma perspectiva de futuro sob consistentes indicadores de desenvolvimento sustentável e humano, no pilar estrutural da infraestrutura. Apenas para começar.

*Cylon Rosa Neto, coordenador do Fórum de Infraestrutura da Agenda 2020 e vice-presidente do Sicepot-RS (publicado originalmente no Jornal do Comércio na edição de 12 de abril de 2017)

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