Como Uruguaiana resolveu seus problemas de esgoto e água

Posted on Posted in INFRAESTRUTURA
Compartilhe:Tweet about this on TwitterShare on LinkedInShare on Facebook

Como um dos principais municípios gaúchos economicamente conseguiu chegar em 2017 com mais de 70% do seu esgoto tratado? Um salto dado em apenas 6 anos, pois em 2011 esse percentual era de 8%.

Uruguaiana revolveu este problema, um dos mais graves que ainda assola muitas cidades brasileiras em pleno século XXI, pela ação da iniciativa privada.

Em 2009, o IBGE havia identificado a morte de 59 pessoas por moléstias de contaminação hídrica. Segundo estudos do Organização Mundial da Saúde (OMS), para cada R$ 1 real investido no saneamento básico, R$ 4 reais serão economizados na saúde para tratar doenças provenientes desse setor.

O município virou a página do esgoto sanitário que contaminava as pessoas e o meio ambiente, fazendo justiça a sua posição de maior cidade da fronteira oeste do Rio Grande do Sul, coração do Mercosul e sede de um importante porto seco rodoferroviário da América Latina.

Com uma população de 120 mil habitantes, Uruguaiana ocupa agora a terceira posição em investimentos no saneamento básico, ficando atrás somente de Porto Alegre e Caxias do Sul.

Antes desse cenário, o município abrigava uma rede de esgoto construída há mais de 50 anos. Durante 40 anos, a Corsan foi a empresa encarregada de fornecer água potável e tratar o esgoto.

No entanto, as cláusulas de investimentos não foram cumpridas, com exceção da construção de pequenas bacias de tratamento do esgoto recolhido na cidade.

Diante dessa realidade nefasta, Uruguaiana foi a primeira cidade do Estado a conceder o serviço de saneamento básico à economia privada. A vencedora da licitação, denominada Foz do Brasil, começou as operações em 2011.

O contrato prevê a conclusão as obras em cinco anos e a cobertura de 100% da população com água potável e escoto sanitário tratado. Os investimentos para isso foram calculados em R$ 170 milhões e o valor da concessão, que tem duração de 30 anos, em R$ 1,4 bilhão.

Ao ser despejada, a Corsan deixou as redes de abastecimento sob maior pressão possível e as bombas de captação desajustadas. Assim, a cidade passou por um verdadeiro colapso no sistema de distribuição de água. Houve a ruptura de adutoras e canos, levando a falta de água em várias partes da cidade.

Além disso, desapareceram todos os registros das plantas e mapas da tubulação de água e esgoto. Uma situação que obrigou a Foz do Brasil a fazer um mapeamento através de sistema eletrônico de superfície para identificar as redes subterrâneas existentes.

A nova concessionária trouxe para a cidade um enorme staff de engenheiros e técnicos para o desenvolvimento do projeto. Em seis anos, os investimentos chegaram a R$ 150 milhões em obras de saneamento básico.

O custo dos serviços de esgoto em Uruguaiana passou a ser de 70% do valor do consumo da água. Outro número significativo dessa mudança está no aumento em mais de 200% da empregabilidade direta e indireta no setor de saneamento básico.

É preciso que a toda a população tenha o entendimento da importância desse serviço básico para a sua saúde, o meio ambiente e a auto estima da cidade. Vale aqui a máxima dita por uma senhora, moradora na beira da estrada que leva aos confins da campanha: “Pinto criado no lixo, tem que ensinar a comer quirera”!

Paulo Menzel

Vice Coordenador do Fórum de Infraestrutura e Logística da Agenda 2020

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *