É incontestável o impacto do Agronegócio no desempenho da economia do Rio Grande do Sul. Isto é, seu comportamento influencia sensivelmente os resultados dos indicadores econômicos do Estado, o qual possui tradição no setor, dispondo de diferenciais como o clima, terras para a agricultura e pastagem, chuva e sol abundantes.

Por tudo isso, o Fórum Temático de Agronegócio da Agenda 2020 selecionou uma série de indicadores para acompanhar a situação deste tema no Estado.

A totalidade da cadeia produtiva do Agronegócio – que contempla a indústria e agroserviços, a agropecuária, a agroindústria e a distribuição – representa praticamente 40% do PIB no Estado, como observado no gráfico abaixo. No gráfico subsequente é possível verificar o PIB gerado pelo Agronegócio gaúcho e sua relevância quando comparado a outros países vizinhos do Brasil.

Participação do PIB do Agronegócio na economia do Estado, 2013

Fonte: Farsul e Banco Mundial.

Participação do PIB do Agronegócio no RS e em países selecionados, 2013

Fonte: Farsul e Banco Mundial

O gráfico a seguir demonstra o aumento expressivo da produção de grãos no Estado nos últimos 25 anos, com um salto de 15 milhões de toneladas (mi/ton) para 31,4 mi/ton, utilizando basicamente a mesma área plantada que era de 7,3 milhões de hectares (mi/ha) em 1990 e passou para 8,4 mi/ha em 2016.

Evolução da Área e Produção de Grãos, 1990-2016

Fonte: IBGE

 

Com relação à evolução da produtividade das lavouras, fator que impacta diretamente na ampliação da competitividade do agronegócio,  o Estado apresenta diferentes realidades, como se verifica no gráfico abaixo. Isto é, partindo do ano 2000, dentre as culturas analisadas, a que teve maior incremento foi a lavoura do milho, com um aumento de cerca de 185% em sua produtividade. Feijão, soja e arroz vêm na sequência, com 122%, 114% e 53% de crescimento, respectivamente. Vale destacar que nos anos caracterizados por seca no Estado, caso de 2005 e 2012, todas as culturas analisadas tiveram grande queda em seu desempenho.

Os dados acima demonstram, portanto, que a grande maioria das culturas plantadas no RS possui padrões internacionais de produtividade. Ainda assim, existem técnicas de agricultura de precisão e irrigação que poderiam ampliar a produtividade das lavouras. Nesse sentido, a meta da Agenda 2020 é dobrar a produtividade das lavouras do Estado no período de 15 anos.

 

 Evolução da Produtividade das Lavouras (Ton/Ha), 2000-2017

Fonte: IBGE

 

Como demonstrado no gráfico anterior, a falta de irrigação é um fator crítico para o setor, pois fica à mercê da situação climática do período. Assim, vale destacar a necessidade de viabilizarmos um sistema de irrigação que reduza a dependência da agricultura aos fatores climáticos e aumente a produtividade das lavouras. Essa importância da irrigação é evidenciada no gráfico abaixo, que mostra um aumento de 242% na produtividade do milho, 160% da soja e 90% do feijão, na comparação com as áreas não irrigadas.

 Média de produtividade das lavouras de milho, soja e feijão, com e sem irrigação (Kg/ha), 2002-2012

Fonte: Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo – CAPC

Embora a área irrigada do Estado tenha aumentado nos últimos anos, o Rio Grande do Sul ainda está longe da situação ideal. Dos 9,6 milhões de hectares de área plantada, o Estado possui por volta de 2% de irrigação. A meta do Fórum temático de Agronegócio é que este número chegue a 30% no período de 15 anos.

Em 2016, o valor das exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul atingiu cerca de R$ 35.877 bilhões, aproximadamente 5% menos que no ano de 2015. Em termos de volume produzido os valores tiveram uma variação de -8,13%.

Dos valores exportados pelo agronegócio gaúcho, praticamente 43% é representando pelas mercadorias do complexo soja e cerca de 18% pelo grupo de carnes. Aliás, neste último grupo, o ano de 2016 não foi muito positivo, pelo contrário.  As carnes de frango e  bovina tiveram uma redução de -6,5% e -2,9%, respectivamente. A carne suína mesmo tendo um aumento no volume exportado na ordem de 21% teve um acréscimo no valor exportado, variando cerca de 6,8% de 2015 para 2016. 

O grupo do cereais teve um comportamento negativo comparando 2016 com 2015 e apresentou uma redução de 50,06% no valor exportado. O produto que mais prejudicou neste grupo foi o trigo com um decréscimo de 65% no valor exportado. Em segundo lugar aparece  o milho  que reduziu o seu volume exportado em 20% e diminuiu em quase 50% os valores auferidos.

Finalmente, ainda chama a atenção no grupo dos lácteos, o  desempenho do item leite UHT e o item leite em pó que tiveram uma redução de -57% no volume exportado, representando uma queda de aproximadamente 56% nos valores negociados.

Exportações do Agronegócio, 2015 e 2016

Fonte: Farsul

Como visto, o agronegócio tem aumentado sua produção e produtividade, porém, é necessário continuar com os esforços para eliminar ou minimizar os gargalos que diminuem a competitividade do setor. Desta forma, existem ações que devem ser realizadas “dentro da porteira” e outras “fora da porteira” dos empreendimentos gaúchos. Exemplo de prática, no primeiro caso, é a profissionalização de todas as etapas do agronegócio, trabalhando com foco em resultados e avaliando o desempenho do negócio. No segundo caso, melhorias na infraestrutura como energia, estradas, irrigação e alterações tributárias são demonstrações de ações que contribuiriam para o Estado dispor de um agronegócio moderno e competitivo.

Alguns dos gargalos existentes que travam a expansão das atividades do setor são:

  • Carências em logística, irrigação, qualificação de mão de obra
  • Mecanismos de incentivo à permanência dos jovens no meio rural, com falta das devidas inovações correspondentes ao mundo moderno
  • Inadequação dos sistemas de armazenamento de grãos
  • Carência de incentivos governamentais à produtividade
  • Elevada tributação sobre os custos de produção, fretes em competição desigual com itens importados
  • Entraves burocráticos para a liberação de licenças ambientais, onde os produtores aguardam anos por uma licença

Acesse aqui a proposta da Agenda 2020